Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Sab, 08 Set, 2007 às 14:34

Manoel de Oliveira viu mais uma vez reconhecida a sua singularidade no cinema europeu. Desta feita foi na recta final da 64ª edição do Festival de Veneza, onde lhe atribuído pela crítica independente o prémio Bisato D'Oro em referência ao seu mais recente filme, Cristovão Colombo - O Enigma.
Quer-me parecer quer o  prémio em questão não estará directamente relacionado com o filme em si , mas com a longa e produtiva obra  deste homem de 99 anos.
Oliveira não será um realizador seminal da história do cinema quando comparado com outros nome que escuso apontar aqui, mas que surgem constantemente nas malfadadas listas de melhores do cinema.
O português não teve de facto um papel determinante ou relevante por aí além no desenvolvimento e na história da sétima arte como tiveram alguns dos seus contemporâneos.
Ainda assim, não esqueçamos que quando se juntam os conceitos de contemporaneidade e o nome Manoel de Oliveira facilmente nos apercebemos que abarcam um século de cinema, de D. W. Griffith até Darren Aronofsky, passando por Eisenstein, Hitchcock, Truffaut e Tarantino.
Tem então a longevidade um papel determinante no reconhecimento internacional de Oliveira? Decerto que sim, pois não esqueçamos que é o único realizador em todo o mundo a ter realizado um filme no período do cinema mudo, o que, só por si já é um feito assinalável., para além de lhe conferir  uma visão e experiência únicas do que é o cinema.
Na parte que me toca, não posso afirmar se sou ou não fã das obras de Oliveira, especialmente por desconhecimento.
De facto, o único filme que posso afirmar ter visto na totalidade foi o primeiro do autor, "Douro, Faina Fluvial", realizado em 1931, onde desde logo se reconhece a faceta contemplativa de Oliveira, e que de resto marca até hoje o seu estilo directivo.
Ainda assim, posso agradecer o visionamento deste filme ao programa "Juventude-Cinema-Escola", iniciativa dirigida, salvo seja, por Graça Lobo e Anabela Moutinho, duas das pessoas que mais fazem pelo cinema no Algarve, pelo verdadeiro cinema.
Desde logo percebi que os filmes de Manoel de Oliveira não são para todas as pessoas, pois muito facilmente provocam enfado no espectador menos persistente, habituado ao blockbuster americano de cem movimentos de câmara por minutos e explosões a toda a volta. Manoel de Oliveira é um homem contemplativo, que aborda o cinema de uma perspectiva mais teatral que todos os restantes, e onde o espectador terá que estar atento à nuances  dos actores, muito mais do que num filme convencional.
Manoel de Oliveira é então um homem velho de corpo (para o provar tem um documentário intitulado "Já se Fabricam Automóveis em Portugal") mas extremamente activo de mente, pelo que este prémio e os que se seguirem são extremamente merecidos.
Oliveira continua a ser uma bandeira do cinema português internacionalmente, enquanto as novas gerações ainda lutam pelo reconhecimento. O que será o cinema português depois de Manoel? A juventude (e comparado com Oliveira todos são jovens) anda por aí, veja-se o caso de Pedro Costa, a ler no artigo do Ípsilon da semana passada. Se não têm, peçam emprestado, porque podemos estar na presença do presente e futuro cinema português, a sério.


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