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Zurraria - Dizem-me que aqui se escrevem coisas...

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13
Dez05

Agora foi o mosquito...

Nuno Costa
Hoje era daqueles dias em que não estava pra fazer nada. Estava de tal forma motivado para a inércia que nem me estava a apetecer levantar o braço direito para coçar os restos do repasto do mosquito que me havia visitado durante a noite, no entanto, senti-me na obrigação de parar aquela comichão irritante que já durava havia meia hora, levantei o braço esquerdo. Senti-me bem. Fiquei a apreciar a sensação por mais meia hora.... Acabei por arrastar-me para algum sítio que não fosse a cama. Cheguei ao chão, percebi que era frio e desconfortável. Rastejei mais um pouco... e mais um pouco... e mais um pouco... Dei três voltas à cama e abri os olhos: tinha acordado.
Nada para fazer... que situação original na minha vida… Pensei em fazer-me útil: estudar! Analisei as consequências positivas que adviriam de tal acção e optei por manter a dignidade. Voltei a dormir. Acordei mais tarde, sem nada para fazer e sem sono… “menos uma opção para passar o resto do dia…” – pensei…
Liguei o computador, lembrei-me de escrever sobre o que me irrita e me chateia… coisas como o caminhar. Haverá alguma coisa mais irritante do que o acto de caminhar? Oh! Que coisa repetitiva e entediante! Já alguém terá pensado em descrever uma caminhada? O absurdo: Pé esquerdo, pé direito, pé esquerdo, pé direito, pé esquerdo, pé direito, pé esquerdo… Ou melhor: um pé, outro pé, um pé, outro pé… Deve ser das coisas menos originais que se fazem na vida, mas estando eu num estado de inércia pura, tudo o que implicasse movimento me irritaria profundamente.
Liguei o som. Pus música natalícia. Tive frio. Sim, porque a única sensação que me provocam os cânticos de natal é mesmo o frio… Sinto arrepios e começo a espirrar, deve ser alguma reacção parecida com a que tem o cão do Pavlov quando ouve a campainha e começa a salivar mesmo que não haja comida. Um condicionamento operante. Qualquer coisa desse género… Fiquei com gripe. Desliguei a música e passou…
Continuei a preencher o meu dia com tarefas de real interesse: Jogo do Galo! Vou ganhar” - pensei eu - “afinal de contas não posso perder 33 vezes seguidas” - estava mesmo motivado! Nada podia correr mal. Ao fim de inúmeras tentativas ia finalmente ganhar um Jogo do Galo!
Quando me faltava pôr o “X” da vitória, voltou a comichão. Aquela comichão persistente e irritante proveniente do repasto do insecto sugador de plasma. Contorci-me numa ânsia desesperada para acabar com aquele maldito prurido! Desejava colocar o “X” da vitória o mais depressa possível. Tinha um mau pressentimento. Pressentia que algo não iria correr bem… algo que, apesar de não ter feito nada para que isso acontecesse, me iria impedir de terminar aquele Jogo do Galo com uma vitória. Não me lembrei de nada ao início, depois, passaram-me coisas pela cabeça realmente assustadoras: ser raptado por alienígenas, ver o Alberto João Jardim em cuecas no Carnaval da Madeira, lembrar-me da cara da Odete Santos… Tudo coisas que assustam qualquer pessoa que tem como principal objectivo na vida acabar de coçar-se para conseguir fazer um desgraçado de um “X” no Jogo do Galo… “oh diabo” – pensei eu – “mosquitos no Inverno?! Isto não é muito normal!” logo eu k sou alérgico às picadas de insec….”
(momento de inconsciência)
Acordei… estou revoltado… tenho 18 anos e um numero infindável de tentativas infrutíferas de vencer um jogo do galo… enquanto dormia falhou a luz, perdi o jogo. Um mosquito estragou-me o dia, a noite e provavelmente traumatizou-me para o resto da minha vida. E desta vez não houve a rapariga linda, loura, inteligente e de olhos azuis no meu momento de inconsciência… Acho que nunca mais a vou ver…
Saudinha da boa!

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