Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Ter, 12 Fev, 2008 às 22:35


A cara de Tommy Lee Jones parece um mapa das estradas de Portugal. Isso e o seu papel em No Vale de Elah conseguiram mostrar a muita gente que o homem não cometeu suicídio profissional ao vestir-se de preto por duas vezes. Além do mais está presente em Este País não é para Velhos dos Coen (estreia esta semana em Portugal) e o seu Os Três Enterros de Um Homem mostrou que o western ainda vive depois do Imperdoável do seu amigo Clint Eastwood.
Curiosamente, era a Eastwood que estava destinado o papel de Hank Deerfield neste Vale de Elah, acabando por encaixar que nem uma luva no perfil de Tommy Lee Jones. Ex-militar, tipo de poucas palavras, discreto, humilde e persistente, um true american, do molde de um John Wayne mais mitológico do que real, assim é este Deerfield em busca do filho que perdeu para a guerra.
A guerra no Iraque como podia ser noutro sítio qualquer, tema de fundo e de superfície neste olhar para a desumanização de toda uma geração e de um país face à dor alheia. A imagem que transparece à partida é a de um filme propaganda, com posters dominados pela bandeira dos EUA em fundo, pela religiosidade latente da América conservadora, apoiante da guerra e da casa Bush.
Contrariamente, No Vale de Elah procura representar o momento em que essa América, pela figura do nativo do Texas Tommy Lee Jones toma contacto com os efeitos secundários da guerra, trinta anos depois do sempre cremado Vietname, do crescimento sustentado da insensibilidade, de um adormecimento dos sentidos que não pára de fazer estragos na sociedade mundial, criando como subproduto toda uma geração de falso alienamento.
O sr. Lee Jones está nomeado para um Oscar, pela sua eficaz e ultra-contida prestação, marcada pelas subtilezas, à qual não é indiferente o sub-contexto político do filme. Ainda assim, ser-lhe-à muito dificil ganhar a estatueta dourada, quando compete com um tal de Daniel Day-Lewis.
Paul Haggis realiza aqui um filme não tão distante do galardoado Colisão, debruçado sobre temas sociais próximos de todas as pessoas, explorando o momento de transição que se vive nos Estados Unidos como um pedido de nova direcção e de mudança que se apresenta como necessária. Para tal efeito é concretizada a não tão discreta metáfora com a bandeira norte-americana, símbolo da maior potência mundial, aqui reinventada como pedido de ajuda, necessário para quem está perdido ou confuso, coisa tão fácil de acontecer nos dias que correm.



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