Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Ter, 04 Dez, 2007 às 01:05

Os Sopranos tiveram o seu último episódio esta noite.
Seis temporadas e muitos anos a acompanhar a vida e a morte na família Soprano parecem agora não ter sido suficientes. Muitos, motivados pela sua insatisfação para com o modo como tudo acabou, sustentam ainda o sonho da transposição para o grande ecrã, num final cinematográfico, a todos os níveis.
No meu entender, não se pode pedir a passagem para o cinema cinema, especialmente quando em cada singelo episódio nos foi dado muito mais do que qualquer filme poderia ou teria para oferecer.
Para a grande maioria do público, habituado ao modelo narrativo de Hollywood, o bad guy tem que morrer no final, quase obrigatoriamente. A sua sobrevivência é uma afronta aos bons da fita, e uma contradição à ideia de retribuição final, onde o bad guy é confrontado e castigado por todo o mal que impôs às suas vítimas.
Ora n'Os Sopranos, Tony é dos poucos que sobrevive aos perigos ocupacionais criados pela sua linha de trabalho. Ao longo dos anos foi arrumando a competição que surgia e afastando as maçãs podres para fora do cesto, por acção directa ou interposta. Muitos caíram em desgraça, não poucas vezes por caprichos de uma mente retorcida. Quem não se lembra do modo como Ralphie Cifaretto foi despachado ou o mergulho final de "Pussy" Bonpensiero. As mortes de Adriana e de Christopher contam-se entre outras, tão ou mais marcantes, com a marca Soprano. Num visionamento rápido de uma fotografia da primeira temporada, o dificil é apontar quem conseguiu sobreviver até ao final, o que só por si demonstra o poder, carisma  e teor abundantemente operático que esta obra de arte emanou desde o primeiro episódio.
Não se peça mais a David Chase. Devemos-lhe a melhor criação dramática de sempre para a caixa que mudou o mundo.  Não o critiquem por ter escolhido terminar esta saga com um tremendo anti-climax. Aplaudam-no por ter tido a coragem que faltou a muitos e a mestria de manipular os seus espectadores até ao último segundo, deixando em aberto os momentos seguintes da vida de Carmela, Anthony Jr., Meadow e finalmente, Tony.
Cabe-nos a nós colocar a peça final do puzzle. Nós temos na mão a vida ou a morte do Padrinho dos Sopranos. Será essa a ideia a retirar daquela bela e simples cena de família.
Tony Soprano, o Júlio César que teve a capacidade de apunhalar tudo e todos e a habilidade de se esquivar aos golpes conspirativos dos Brutus que se atravessaram no seu caminho.
Não há decididamente necessidade de uma longa metragem para terminar Os Sopranos.
Afinal, como sempre, a vida continua. No caso, a vida Made in America.


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