0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Martins / Sex, 29 Fev, 2008 às 22:43

A propósito do último post fica aqui um excerto da "Lust mailling list ", da responsabilidade da (excepcional) Loja de discos Flur , sobre uma reportagem da sic que pretendia reportar o estado do vinil :

agora:
é cansativo quando o mundo em geral
descobre o mundo em particular.
cansa porque o ponto de partida é sempre o zero
e, quando o mundo em geral se explica,
desconhece os pormenores que são a atracção
do mundo em particular,
e então este tem muito mais para justificar.
desta vez a sic, no primeiro jornal de 27 de fevereiro,
aborda o assunto vinil.
como tem sido recorrente,
pelo menos do nosso ponto de observação,
mais uma vez os discos de vinil são encarados
como coisa de colecção, exclusiva,
apresentados como velharias,
na linha do enjoativo nome que deram às reedições
da Valentim de carvalho: do tempo do vinil.
as pessoas que mostram os discos são velhas ou,
se quisermos ter mais pudor, são clássicas,
as suas aparelhagens de vários milhares de euros
parecem, do ponto de vista das reportagens,
tocar sempre os mesmos discos de yes ou jethro tull.
o texto da reportagem na sic afirma mesmo,
enquanto o apresentador coloca no gira-discos
um LP da deutsche grammophon :
"os chamados LPs como este
foram comercializados até 1999."
basta ver a dance tv (na sic radical) de vez em quando
para saber que há discos em vinil
a serem editados todas as semanas.
mas a reportagem continua:
"em várias lojas é possível encontrar, por exemplo,
trabalhos recentes editados em vinil".
depois é deprimente ouvir uma rapariga adolescente
a pegar numa capa sem a menor pista sobre o que seja
e acaba por dizer, meio irritada,
"um catálogo de moda ou uma coisa assim, não sei..."
é um outro mundo.
este país não é para velhos.



5 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Martins / Ter, 26 Fev, 2008 às 01:45

...que dão o vinyl como morto, a Fnac espanhola lança uma campanha que considero de belo efeito. Algumas imagens aqui:

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Fonte: LSD



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Sab, 23 Fev, 2008 às 21:11


HRC - Hillary Rodham Clinton

Clinton compares Obama to Bush.




0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Sab, 23 Fev, 2008 às 12:11


Aparentemente, Diablo Cody quer fazer com que o mundo acredite que Juno MacGuff é uma adolescente de 16 anos como tantas outras. Afinal, fisicamente Ellen Page passa bem por tal tarefa, assim como todo a fauna e flora que rodeia o mundo em que vive.
O problema é quando a jovem Juno abre a boca. Se é verdade que a restante juventude presente no filme confere com os predicados que lhe são reconhecidos, Juno é uma mulher de 20 e muitos anos presa num corpo de 16, em toda a descontracção, firmeza e objectividade com que enfrenta a gravidez na adolescência.
A ironia e o sarcasmo como oxigénio para os pulmões, os gostos musicais com Raw Power do grande Iggy à cabeça aliados à fluidez e qualidade do argumento fazem de Juno um belíssimo feel good movie.
O Little Miss Sunshine de 2007 ou 2008, dependendo das perspectivas, tenho afirmado por aí, sendo que de facto Juno já cilindrou LMS em quase todos, senão mesmo todos os aspectos. É, por esta altura, o primeiro indie blockbuster da história do cinema, ultrapassando a meta impensável de 100 milhões de dólares na bilheteira americana, para um filme de origens humildes. A banda sonora, indie até ao tutano conseguiu atingir o primeiro lugar no top de vendas da Billboard, feito notável, ainda que exista talvez um excesso de Kimya Dawson no meu entender.
Nomeado para uma série de categorias nos Oscares, Juno há-de sair com alguma estatueta dourada da cerimónia de domingo, muito provavelmente para o argumento original de Diablo Cody, que a colocou debaixo de olho dos crescidos de Hollywood.
Pela originalidade da escrita, do visual, da banda sonora e de todo o grupo de actores, Juno merece sem dúvida o sucesso que tem tido. Para os adolescentes que querem ou são obrigados a ser adultos e para os adultos que querem mas não conseguem voltar a ser adolescentes, Juno é um olhar com simplicidade sobre a inevitabilidade do crescimento e as mudanças para as quais nem todos estamos preparados, ou pelo menos uns melhor preparados que outros.





0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Sex, 22 Fev, 2008 às 21:10


Terminou na passada quinta feira dia 21 um leilão em que eu não me importava de ter licitado, caso tivesse o mesmo ordenado que o C. Ronaldo.
Com um valor estimado em mais de 50 milhões de dólares, esta colecção privada de três milhões de discos e trezentos mil cd's abrange todos os géneros musicais gravados do século XX, naquele que é sem dúvida alguma o maior acervo musical em todo o mundo.
Quem vende é Paul Mawhinney, tipo com uma carteira muito grande e um único vício na vida, a música. Diz ele que começou a comprar e coleccionar discos há mais de sessenta anos, o que rapidamente terá desembocado num distúrbio obsessivo-compulsivo que o conduziu à posse de tamanha quantidade de gravações musicais.
No site de apresentação deste espólio escreve-se assim: Every genre of American music is represented: rock; jazz; country; R&B; blues; new age; Broadway and Hollywood; bluegrass; folk; children's; comedy; Christmas, and more. No other collection in the world – publicly or privately held – even comes close.
Ora meus amigos, digo-vos eu que esta colecção foi vendida no ebay ligeiramente acima do preço inicial de licitação, por qualquer coisa como três milhões de dólares, ou seja, 47 milhões abaixo do seu valor estimado. Uma verdadeira pechincha, para quem considera estes valores como pocket money.
Deste modo, fico com a séria dúvida de que o senhor Mawhinney tenha recuperado o seu investimento, mas ninguém lhe pode retirar o mérito da preservação e catalogação de dimensões gigantescas que conduziu ao longo dos anos, pondo sempre o amor à música em primeiro lugar.



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Martins / Sex, 22 Fev, 2008 às 12:03

Realizou-se na passada terça-feira a cerimónia dos Britt Awards , de onde saíram como grandes vencedores da noite os Arctic Monkeys (Melhor álbum e banda Britânica ) e os Foo Fighters (Melhor álbum e banda internacional). E ambos fizeram-no com estilo.

Por um lado, Dave Grohl no seu discurso transmitido por vídeo, dada a impossibilidade de estarem presentes na cerimónia, destacou o quão importante era ser reconhecido ao lado de nomes como Huey Lewis And The News , Culture Club , MC Hammer and Kula Shaker - vencedores na mesma categoria em anos anteriores - pondo em causa o critério de escolha de quem atribui estes prémios.

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Por outro lado, tivemos uns Arctic Monkeys cheios de estilo - na foto à chegada da cerimónia, nas tradicionais poses na passadeira vermelha - mostrando como um típico britânico se veste, ou deveria vestir, para uma gala desta importância. Mais tarde, no palco - visivelmente embriagados de alegria e cevada - percebeu-se o tremendo esforço de Alex Turner em fazer o típico discurso de agradecimento, mas à falta de inspiração - e depois de muito enrolar a língua -  finalizou com um Thank you everybody , We're the Arcitc Monkeys and we are the most fantastic " - teoricamente a melhor maneira de começar um discurso - antes de serem expulsos pela Osborne do palco.

Quem parece ainda não ter esquecido a adaptação/paródia que os Arctic Monkeys fizeram da música Love Machine - que basicamente transformaram uma música má numa música extremamente viciante - foram as Girls Aloud que, quando filmadas durante o discurso dos Arctic Monkeys , enviaram uma mensagem personalizada através de Cheryl Cole.

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Destaco ainda os discurso vitorioso de Kaney West (Melhor Artista a Solo Internacional) que teve, pela primeira vez, a humildade de admitir que nada quer com a humildade (redundância?!?) admitindo que o seria se houvesse alguém melhor que ele...

Links :
Discurso dos Arctic Monkeys Parte1
Discurso dos Arctic Monkeys Parte2
Mais fotos da cerimónia (NME)

P.S. Se as roupas dos Arctic Monkeys se tornarem uma tendência eu vou logo às compras para a Espingardaria Simões!




2 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Martins / Qui, 21 Fev, 2008 às 01:57

A actriz/cantora/modelo Lindsay Lohan aceitou o convite da revista New York para recriar o famoso set fotográfico da ícone Marilyn Monroe , intitulado The Last sitting ." - por ter sido feito semanas antes da sua morte. O set foi realizado pelo mesmo fotografo que, em 1962, captou as imagens ousadas de Monroe, no hotel Bel-Hair.
No set original Monroe atravessava uma fase decadente quer a nível profissional como pessoal tendo surgido nestas fotos mostrando a sua face mais frágil e intimista sem nunca esconder o seu lado sexual, pelo qual era conhecido e que a tornou numa sex symbol intemporal.

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Esta produção, levado a cabo pela revista New York, está ,na minha opinião, muito bem conseguida e a escolha de Lindsay Lohan surge quase como óbvia, não só pela fase profissional/pessoal atribulada que atravessa mas também pela sensualidade que esta consegue transmitir a cada imagem.

Links :
Set Fotográfico (New York Magazine)
Preparação do Set (New York Magazine)
Fonte do post (PopCrunch)
Set orginal - The last Sitting




0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Martins / Dom, 17 Fev, 2008 às 21:10

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"Sala 101" é o nome do primeiro single do próximo álbum dos Dealema , depois de em 2003 terem lançado o seu primeiro trabalho - depois de muitos anos a batalhar e de trabalhos paralelos. Ultimamente para além das típicas participações noutros álbuns podemos ouvir o Mundo e o Ex-pião em trabalhos a solo - destaco a Máscara do Ex-pião um álbum de hip-hop difícil de ouvir e que requer alguma insistência , pelo menos comigo foi assim.
Quanto ao que pudemos ouvir neste "Sala 101" agrada-me, é um som tipicamente Dilemático , mas obviamente é inconclusivo - apenas destaco a participação do Ex-pião que no primeiro álbum parecia estar mais escondido, ou é impressão minha?

Ficamos à espera!
Link



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Martins / Dom, 17 Fev, 2008 às 16:25

Antes de mais dizer que o título mais correcto para este texto seria "um comentário que virou post " mas que, para garantir uma ligação ao post em questão, decidi adoptar o mesmo título.

Às tantas o xCunhax diz, no seu comentário, se não serão as rádios vítimas da 'descultura' dos portugueses, em vez do contrário - opinião que considero totalmente válida mas que pessoalmente discordo. Chamem-me ingénuo mas ainda não perdi totalmente a esperança na raça humana para concordar com tal afirmação. Acho sinceramente que as pessoas "consomem" aquilo ao qual tem acesso e que, quando passado em doses industriais a toda a hora, lhes fica (inevitavelmente) na cabeça. Se uma Rádio "da" Cidade passasse "i'm Waiting for the Man " (Velvet Underground ) tantas vezes como passa um "Rise Up" (Yves Larock ) as pessoas ouviriam de bom grado certamente. Um ser humano é caracterizado, em parte, pela cultura que tem ao seu dispor e é ai que a comunicação social tem um papel preponderante não só alimentando essa "fome" como incentivando à auto-suficiência/independência, algo que rádios locais como as referidas no post anterior fazem.

Outro ponto - e agora discordando em parte com o que escrevi no outro post - é que talvez o problema não seja tanto o medo de arriscar mas sim o poder das editoras junto da comunicação social e, neste caso, das rádios. Talvez essa seja a forma mais sustentável de uma rádio conseguir sobreviver mas, por outro lado, temos as rádios que pertencem, directa ou indirectamente, a editoras/produtoras e ai o jogo de interesse torna-se inevitável.

P.S. xCunhax , não tomes este post como uma critica à tua opinião, é meramente uma resposta que comecei a escrever na zona de comentário mas que se foi estendendo ...



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Sab, 16 Fev, 2008 às 23:24


fonte: Tim Burton's: The Melancholy Death of Oyster Boy




0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Sex, 15 Fev, 2008 às 23:11

A primeira questão que surge aquando da constatação do preço final da magnífica colecção é: será vale a pena? Afinal estamos a falar de uma pequena fortuna, qualquer coisa perto dos 250 euros, quantia suficiente para construir uma vivenda geminada desenhada pelo eng. Sócrates.
Não será uma colecção acessível a todos os bolsos, mas é sem duvida alguma uma das mais belas, funcionais e pedagógicas, absorvendo alguns dos melhores realizadores da centenária história da cinematografia , de Fritz Lang e Eisenstein a Tim Burton e Scorsese, numa lista impressionante de vinte e cinco nomes incontornáveis, sinónimos de criação, inovação e génio no mundo da sétima arte, tendo muitos deles superado a barreira do entretenimento, realizando obras de verdadeira arte.
A colecção vale muito pelos clássicos em dvd a preço reduzido, mas também os Cahiers du Cinema para cada autor têm o devido destaque, aprofundando a história, o método e a filmografia dos realizadores, em livros de boa qualidade, quer escrita, quer visual, sem atraiçoar a fama que precede os Cahiers.
Respondendo à questão colocada no início, sobre a validade da aquisição desta "Colecção Grandes Realizadores Público/Cahiers do Cinema", só posso dizer que não existem dúvidas sobre o nível de qualidade demonstrado, ainda para mais se levarmos em linha de conta a pobreza franciscana no que toca aos dvd's oferecidos como milho aos pombos por outras publicações. É certo que aqui a qualidade se faz pagar, e bem, mas muitas vezes mais vale pagar por excelência do que receber merda de borla. Não será o slogan mais bonito do mundo, mas pelo menos é verdadeiro. Depois da Série Y, o Público volta a vender bom cinema, e o povo agradece.



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Guerreiro / Qui, 14 Fev, 2008 às 00:28

Sempre me abstive de, neste espaço, como em todos os espaços - concretos ou abstractos - em que marco presença, vincar posições ideológicas ou políticas concretas. Não sou de militâncias, porque a militância comporta boa dose de fanatismo de que por amor à racionalidade me afasto.
Porém, quase findo o segundo mandato de George W. Bush - provavelmente o pior presidente da História dos Estados Unidos da América - e numa altura em que nos EUA decorrem eleições primárias para eleger os candidatos de um e outro partido à presidência norte-americana, faço questão de vincar uma posição. Talvez por não poder votar - não partilho da tese de que "todos os cidadãos do mundo deveriam poder votar no lider americano" - escolho e partilho.
Para um europeu, ser "democrata" é denominador comum. Existem pouquíssimos europeus "republicanos". Nas presentes eleições primárias, as escolhas democratas são entre uma mulher (Hillary Clinton) e um negro (Barack Obama), e com elas, também os europeus se desdobram em opiniões mais favoráveis a um ou outro.
Pessoalmente: "Change we can believe in!".




0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Nuno Costa / Qua, 13 Fev, 2008 às 19:43

O Ramos-Horta foi baleado e fala-se em seis meses de recuperação. Estava a pedi-las, digo eu. Convenhamos que sugerir o Durão Barroso para Nobel da Paz é uma manobra de quem anda a brincar com a vida.





0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Ter, 12 Fev, 2008 às 22:35


A cara de Tommy Lee Jones parece um mapa das estradas de Portugal. Isso e o seu papel em No Vale de Elah conseguiram mostrar a muita gente que o homem não cometeu suicídio profissional ao vestir-se de preto por duas vezes. Além do mais está presente em Este País não é para Velhos dos Coen (estreia esta semana em Portugal) e o seu Os Três Enterros de Um Homem mostrou que o western ainda vive depois do Imperdoável do seu amigo Clint Eastwood.
Curiosamente, era a Eastwood que estava destinado o papel de Hank Deerfield neste Vale de Elah, acabando por encaixar que nem uma luva no perfil de Tommy Lee Jones. Ex-militar, tipo de poucas palavras, discreto, humilde e persistente, um true american, do molde de um John Wayne mais mitológico do que real, assim é este Deerfield em busca do filho que perdeu para a guerra.
A guerra no Iraque como podia ser noutro sítio qualquer, tema de fundo e de superfície neste olhar para a desumanização de toda uma geração e de um país face à dor alheia. A imagem que transparece à partida é a de um filme propaganda, com posters dominados pela bandeira dos EUA em fundo, pela religiosidade latente da América conservadora, apoiante da guerra e da casa Bush.
Contrariamente, No Vale de Elah procura representar o momento em que essa América, pela figura do nativo do Texas Tommy Lee Jones toma contacto com os efeitos secundários da guerra, trinta anos depois do sempre cremado Vietname, do crescimento sustentado da insensibilidade, de um adormecimento dos sentidos que não pára de fazer estragos na sociedade mundial, criando como subproduto toda uma geração de falso alienamento.
O sr. Lee Jones está nomeado para um Oscar, pela sua eficaz e ultra-contida prestação, marcada pelas subtilezas, à qual não é indiferente o sub-contexto político do filme. Ainda assim, ser-lhe-à muito dificil ganhar a estatueta dourada, quando compete com um tal de Daniel Day-Lewis.
Paul Haggis realiza aqui um filme não tão distante do galardoado Colisão, debruçado sobre temas sociais próximos de todas as pessoas, explorando o momento de transição que se vive nos Estados Unidos como um pedido de nova direcção e de mudança que se apresenta como necessária. Para tal efeito é concretizada a não tão discreta metáfora com a bandeira norte-americana, símbolo da maior potência mundial, aqui reinventada como pedido de ajuda, necessário para quem está perdido ou confuso, coisa tão fácil de acontecer nos dias que correm.




2 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Dom, 10 Fev, 2008 às 12:27

Se é verdade que a tristeza invade grande parte das suas músicas, também se diz de Aimee Mann que tem um sentido de humor bastante particular, aplicando-o não raras vezes nos seus concertos. Como a comédia e a tragédia andam sempre de braços dados, desta vez Aimee fez questão de explorar a que lhe é menos associável, a comédia.
Familiarizada há muito com o mundo do cinema por associação ao fã Paul Thomas Anderson, que confessou ter escrito Magnolia ao som de Bachelor N.2, o terceiro álbum de Mann,  a senhora criou  no final do ano passado um mockumentary (documentário fictício).
Acontece então que durante a preparação para o seu concerto especial de Natal, Aimee está com dificuldades em encontrar convidados especiais, sendo também pressionada pelo seu manager para convidar algumas celebridades para assistirem ao concerto. Este mockumentário acompanha então a busca de Aimee por malta conhecida que traga Hollywood para o seu concerto.
Realizado por Michael Blieden, esta paródia tem participações da própria Aimee Mann, de Paul F. Tompkins, Jon Krasinski (o Jim, do The Office americano), Emily Procter (a Calleigh, do CSI: Miami), Patton Oswalt, Weird Al Yankovic, Bob Odenkirk, Fred Armisen, do Ben Stiller e do Will Ferrell. Como sempre, o Ben Stiller faz papel de palhaço, não literalmente.
Aqui fica o mockumentário, dividido em três partes.

Parte 1


Parte 2


Parte 3




3 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Martins / Sex, 08 Fev, 2008 às 20:13

Há muita coisa que me irrita profundamente na rádio portuguesa, sentimento este que recentemente tem-se acentuado. Este sentimento refere-se ás rádios de transmissão nacional, rádios essas que, supostamente, terão mais meios para fazer melhor.
O que tem contribuído para o aumento deste sentimento já nem é a ausência (quase) total de qualidade musical e de critério de escolha, que não o caminho fácil do popularismo de descultura ” total, que nos tratam como se fossemos pessoas que vêm “Morangos com açúcar” por gostarmos do argumento e interpretação e não por, simplesmente, gostarmos de apreciar “seios enormes”  - metaforicamente falando (até certo ponto). O que me irrita mesmo é o facto das rádios que vendem ser a rádio “que mais música portuguesa passa” ou “que  mais apoiam a cultura musical portuguesa”.

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Top da rádio Comercial

Errado! As rádios, na sua generalidade, têm medo de apostar – apostar neste caso é passar música portuguesa nova/diferente/desconhecida ou simplesmente música que divirja do estilo Hey there dalila ...” – e não são “quintas dos portugueses” que nos vão safar...

Hoje em dia chora-se por mais um single do David Fonseca, um novo álbum do Blasted ou uma nova season ” dos Morangos com açúcar para poder respeitar as cotas, enquanto se passa isto:

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Top rádio Cidade

É claro que, enquanto isso não chega, pode-se sempre passar uma vez mais o “Encosta-te a mim” do Jorge Palma –que muito respeito e aprecio mas que tem, certamente, melhores músicas para serem passadas.

Valha-me a Radar, a Oxigénio,  a Marginal,  a EuropaLX e, quando estou no Algarve, a RUA – porque já nem a Antena 3 me consola.



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Guerreiro / Seg, 04 Fev, 2008 às 18:06

Devo alertar, antes de mais, que este post não é uma iniciativa de quem o assina.
Começou por ser o Pedro Martins a avançar com a ideia de fazer uma mini-entrevista ao Valete, e foi ele quem fez o primeiro contacto para que isso sucedesse. Entre ele, eu e o Bruno Nunes, tentámos definir a pertinência das questões a colocar, e o resultado foi este.
Agradecemos desde já a extrema disponibilidade do Valete e esperamos que esta iniciativa seja pioneira de outras que se sigam.



Zurraria: Apelidaste o teu segundo trabalho de Serviço Público, nome que assenta bem, visto ter sido, de facto, o teu trabalho que mais projecção teve e que mostrou às massas como soa o rap de qualidade. Nele criticas o estado de degradação musical, ora por culpa da industria ora pela sociedade formatada aquilo que passa na tv e rádio. Não entanto não consideras que parte dessa culpa provêm de certos mc's, portugueses e internacionais, que se venderam, de certa forma, ao caminho fácil de afirmação e rentabilização? Não serão esses mesmos artistas que deturpam o hip-hop perante a sociedade?


Valete: Quando falamos do HipHop, falamos sempre dum movimento cultural, com princípios, valores e uma moral. Existe até uma "Declaração de Paz do HipHop" que estipula 18 princípios condutores da cultura. A minha ligação ao HipHop é muito natural. Existe apenas porque me identifico com os valores, que são essencialmente de PAZ, União e Igualdade. Eu identifico-me ideologicamente com a filosofia HipHop como se calhar me identifico com muitas outras. O que eu não quero é seguir cegamente ceitas, movimentos ou religiões. Apenas sigo o meu instinto. Eu sou eu antes de ser HipHop.  Muitas vezes quando te ligas muito a qualquer tipo de movimento (criado por homens, tão falíveis como tu) tornas-te fanático, ficas cego…e sem te aperceberes vais limitando a tua liberdade. Ficas só preocupado com o que HipHop é ou não é, e esqueces que o mais importante é tu seres tu. Resumindo eu serei sempre HipHop até ao dia em que isso não interferir com a minha liberdade. Por isso eu nem sequer condeno manos que "deturpam" o HipHop, porque provavelmente eles só estão a ser livres.

Antes do HipHop a minha paixão é pelo Rap. Tu podes amar rap sem te identificares com a cultura HipHop. E o que eu defendo é que rap é arte e deve ser feita com Skill.  Devemos dar espaço aos mais talentosos. E manos devem respeitar o rap como uma arte. Muitos rappers fazem uma musiquinha de amor ou de festa, sem nenhuma habilidade lírica ou poética, só mesmo para vender. Estão a desrespeitar o rap enquanto arte. São esses manos que eu condeno. Critico também a comunicação social porque dá airplay a esses inválidos. E aí sim há uma deturpação do Rap. Dá impressão ás pessoas que é um estilo musical feito por putos, deslocados, vazios e sem nenhum talento musical.

Pareceu-me que em Educação Visual, teu álbum de apresentação, tiveste um trabalho mais introspectivo onde te davas a conhecer e mostravas a tua visão do mundo. Em serviço Público já ouvi uma mensagem mais formal e política, num álbum que me soou mais maduro. O que se pode esperar de 360º?

O título do álbum tem vários sentidos. Um deles é a volta a mim mesmo. Voltar a ser eu quando eu era apenas o Keidje. Eu ajudei a alimentar muitos rótulos a meu respeito. Chamaram-me Comunista, Revolucionário, Fundamentalista do Underground. Que se foda isso tudo. 360 Graus serei eu com os meus valores, desprendido de qualquer corrente doutrinária, serei eu com as minhas certezas, inseguranças, paixões, ódios, angústias etc. Por isso será um álbum muito versátil. Será duplo, terá muita música. Vais sentir o que me preocupa, vais sentir como sofro, como me divirto, como amo, como absorvo o mundo. Será um grande manifesto de liberdade, porque eu hoje sinto-me mesmo livre, não sinto pressão de lado nenhum. Não estou ligado a nada , senão a mim mesmo. Como rapper apesar de gostar também de flows e styles, gosto principalmente que as minhas letras falem de coisas relevantes, que tenham reflexão e profundidade, mesmo que não aconteça em todos os sons, creio que esse registo será visível na maioria deles.

A política e as injustiças sociais são temas recorrentes na tua lírica. No momento em que te pomos estas questões os Estados Unidos estão a viver umas eleições primárias para decidir os candidatos ao lugar de "líder do mundo livre".
Queremos saber quem é o teu candidato favorito e se estas eleições de 2008 trarão , no teu entender, ventos de mudança para a situação política internacional.

Do mal ou menos prefiro que ganhe um Democrata. Neste caso a Hillary Clinton ou o Obama. Poderá ter alguns reflexos na política externa, porque será impossível que um "Democrata" tenha uma politica externa tão belicista como a do Bush. Haverá certamente menos mortes com um Democrata no Poder. Mas no fundo sabemos que as eleições americanas são quase simbólicas. Os estados Unidos são uma nação económica. Eles não têm uma economia a servir o estado, têm um estado a servir a economia. E qualquer Governo que seja (democrata ou republicano) existirá apenas para criar condições para que as Multinacionais e as Corporações Económicas possam prosperar. Por exemplo os estados unidos têm o maior PIB do mundo, mas estão em 9º , 10º lugar em PIB per capita. São um país riquíssimo mas têm milhões de pessoas abaixo do nível de pobreza e milhões de pessoas que por não poderem pagar um seguro de saúde, não têm direito a assistência médica apropriada. E agora com este recente "crash" serão novamente os mais necessitados a pagar. O estado social nos USA é uma falácia. O país é controlado por uma elite da alta finança. Eles é que decidem a maioria das guerras, e a maioria das acções políticas relevantes. E esta elite económica tem projectos que foram delineados desde o início do século XX e que nenhum governo americano poderá impedir. Projectos como a "Globalização". Pretendem enfraquecer o Poder dos estados para aumentar o fluxo de comércio e de transacções financeiras à escala mundial e desta forma também aproximar o mundo ao Sistema Capitalista Americano. E têm organizações como o FMI, Banco Mundial, OMC, Nato e ONU para ajudar e legitimar essa estratégia. Não vai ser um Obama que vai impedir isto.    

É do conhecimento geral que és uma pessoa atenta às constantes criações do mundo cultural. Ouvimos nas tuas músicas inúmeras referências musicais e literárias do passado e presente. O que lê, ouve e vê o Valete por estes dias?

Por estes dias estou a ler "Hegemonia ou Sobrevivência" do Chomsky, de música oiço EMC- "The Show" e Xhellaz "El Soñador Elegido" , e nos últimos tempos um primo meu chamado Ime aconselhou-me dois filmes: " A Vida dos Outros" e "Lavoura Arcaica". Marcaram-me. 2 grandes filmes.

PS: Podem ler esta mesma entrevista assim como outros textos do Valete no seu blog do myspace.



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Guerreiro / Seg, 04 Fev, 2008 às 00:40

Desde que se fala no fim dos jornais - e não é assim há tão pouco tempo - tem sido sempre o  jornal Público a dar um passo em frente. A emancipar-se.
Em 2008, e contra as críticas que o apontam como elitista, há mais um passo à frente. O recrutamento de cronistas como Zé Diogo Quintela e Kalaf Ângelo apontam claramente à inovação e à busca de novos públicos. Mais jovens, porventura. Menos politizadas, talvez.
Sangue novo, certamente. 


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