1 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Qua, 28 Nov, 2007 às 16:33

a notícia ou as perguntas da entrevista?
venha o canibal e escolha.



2 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Qua, 28 Nov, 2007 às 12:12

O segundo nome em linha de escolha era phosga-se.



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Ter, 27 Nov, 2007 às 23:20

fazem uma lista destas e deixam de fora os AC/DC.
Blasfémia.



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Seg, 26 Nov, 2007 às 23:40

Quando a esmola é grande, o pobre desconfia, e às vezes faz bem em desconfiar.
Desde o inicio da produção que American Gangster anda com um gigantesco sinal luminoso a dizer "Oscar Material", para todo o mundo ver. Ora isto acarreta uma grande responsabilidade para as pessoas envolvidas, essencialmente na tentativa de corresponder às expectativas criadas nos largos meses que antecederam a estreia.
É certo que o filme deixou muita gente com um sentimento de semi-desilusão, ou mesmo desilusão, muito por culpa da diminuta quantidade de verdadeiras cenas de acção com sangue e balas a voar por todo o lado, à la Scarface, por certo.
American Gangster é uma obra impecável de Ridley Scott, mas não será o melhor filme de gangsters do cinema americano. Ainda assim safa-se bastante bem, e por certo estará a julgamento nos Oscars deste ano. O problema é que fica o sentimento de que falta algo ao filme, apesar das duas horas e meia de película. Se calhar estamos mal habituados com os finais em apoteose com que termina a grande maioria dos filmes do género. A isto acresce o facto de em American Gangster se sentir um cheirinho do Zodiac de David Fincher. Digo eu...
Será a atmosfera dos anos setenta ou a personalidade de Richie Roberts e Frank Lucas que me remete para a personagem Robert Graysmith de Jake Gyllenhaal. Enfim, se calhar é só parvoíce minha. Quem esperava um festival de bazófia foi bater à porta errada, mas não pode ter dado o dinheiro do bilhete por perdido.
O grupo de actores de American Gangster é só por si garantia de um grande trabalho, mais não fosse por ter Russell Crowe e my man... Denzel Washington, mas não posso deixar de realçar o espectáculo que é ver Josh Brolin, um bad motherfucker à antiga.
American Gangster está bem de saúde e recomenda-se. Ainda que tenha algumas falhas, não deixa de ser um dos bons filmes do ano e mais uma bela obra do mais velho dos irmãos Scott.

Já agora, o que também se recomenda é o álbum homónimo criado por Jay-Z com inspiração no filme. Coisa jeitosa e bem trabalhada, retorno ao oldschool, nas letras e nos sons, como há algum tempo não se via em jigga.



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Dom, 25 Nov, 2007 às 23:37

Há 20 anos a mostrar o mundo ao mundo, assim tem sido a vida pós-Python de Michael Palin.
Neste momento (não literalmente neste momento, mas enfim) está a passar na rtp2 o documentário da última viagem do mais famoso singing lumberjack de todos os tempos.
Depois dos pólos, depois do deserto do Sahara e dos Himalaias e da circum-navegação do Planeta Terra, entre outros feitos, o cidadão do mundo Palin viaja pela Nova Europa, aquela que se abriu ao resto do mundo com o final da União Soviética.
São vinte os países por onde passa, num estilo bastante particular, em que a sua personalidade british se abre aos costumes estrangeiros, qual Lawrence da Arábia.
O apurado sentido de humor é omnipresente, ou não estivéssemos na presença de uma das divindades da comédia, o que dá uma alma diferente às imagens e às conversas com as populações locais, e o torna ímpar em relação aos restantes documentários de viagens.
Aos domingos à noite, lá pelas oito e meia/nove ou então às sextas de madrugada, ou quando for a repetição, "A Nova Europa de Michael Palin", sempre na rtp2.
Verdadeiramente divinal para os fãs dos Python, de Palin, de viagens, ou simplesmente do conhecimento, acima de tudo pela simplicidade aparente que se transforma num produto final primoroso e excepcional.

* título retirado daqui. Sítio importante para conhecer um pouco mais sobre as viagens e os subprodutos que daí saíram. Asseguro-vos que não é tempo perdido.



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Nuno Costa / Qui, 22 Nov, 2007 às 23:18

Aposto que se pedirmos com jeitinho nos arranjam uma feijoada à transmontana.

(A fotografia é do grande artista Pedro Martins, o  Druida, honras e louvores a ele.)



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Guerreiro / Ter, 20 Nov, 2007 às 20:35

O homem é licenciado em Direito, mas mais conhecido como blogger, escritor, crítico literário, cinéfilo, "politólogo". Nos tempos livres, que os há, não pensem, é conferencista.
Como no passado sábado. A convite do PS, Pedro Mexia desceu ao Algarve para falar sob o mote: “Novos Desafios, Novos Caminhos: uma resposta ideológica de direita".
De uma direita moderna, Mexia esclareceu posições ideológicas, à direita e à esquerda, atacou, novamente uma e outra. Paulo Coelho disse, como citou uma formanda presente, que sabia que era heterossexual porque tinha experimentado relações homossexuais 3 vezes e não tinha gostado. Pedro Mexia esclareceu: É de direita porque conhece, - experimentou - a esquerda mais do que 3 vezes: não gostou.
O que só se pode aplaudir.
E já agora, bela conferência.




4 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Dom, 18 Nov, 2007 às 18:38

Está visto, a malta do batráquio não pára. Numa operação de intenções claramente invejosas lá criaram uma réplica à portuguesa da Wikipedia.
Chamaram-lhe "Sapo Saber", e parece-me uma bonita iniciativa. Podemos acreditar que se trata de um projecto para criar uma plataforma de conhecimento online para os portugueses e restantes países cuja língua oficial é o português, mas a verdade é que isso não podia estar mais longe da verdade.
No fundo, o que se criou foi uma plataforma de apoio ao jovem estudante português. Cansado de traduzir os artigos da Wikipedia em inglês ou os milhentos gerúndios presentes nos artigos em português do Brasil, o estudante português com pouco ou nenhum tempo para trabalhos escolares maçadores tem no Sapo Saber o seu porto de abrigo.
Calões e gazeteiros de Portugal, o Sapo veio ao vosso auxílio. Até agora a iniciativa parece ter pernas para andar, veremos como será o futuro.

PS: Sugiro a Francisco Louça que trate ele próprio da sua página pessoal no Sapo Saber. Conselho de amigo.



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Sab, 17 Nov, 2007 às 22:59

Fazendo fé nas insistentes palavras de Hélder Conduto, Leiria esteve esta noite situada na Sibéria.



4 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Sex, 16 Nov, 2007 às 19:56

Já se ouve o Last Christmas dos Wham! nas lojas portuguesas. A tradição ainda é o que era.



7 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Qui, 15 Nov, 2007 às 23:19

Parece que este vídeo vai passar nos media portugueses nos próximos tempos para ensinar às criancinhas de Portugal como é vil e asquerosa a pirataria de dvd's.
Uns chamam-lhe campanha de sensibilização, eu chamo-lhe lavagem cerebral, mas enfim, suponho que dependa da profundidade dos bolsos de cada um.
Afinal, parece que o governo português está mais preocupado em beijar o "rêgo do ass", (como diriam alguns) de multinacionais como a Pixar, em vez de facilitar o acesso à cultura no nosso país.
Não tenho nada contra a Pixar nem contra os grandes estúdios, estou apenas chateado pelo facto de em Portugal os filmes de qualidade acima da média feitos nesse belo país que é o estrangeiro não terem direito a uma distribuição equitativa ou mais significativa do que têm actualmente.
É certo que as grandes produções como Gangster Americano têm lugar cativo nos multiplexes, e ainda bem, porque são elas o sustento dos cinemas "profissionais", se é que de profissional têm alguma coisa, mas se calhar já era altura de começar a pôr um ou outro filme semi-indie na equação.
O propósito de todo este desagrado é a distribuição do filme Control, de Anton Corbijn. Eu, como muitos, queria ver o filme, um dos mais falados deste ano, muito por culpa de todo o hype à sua volta, mas parece que vou ter que esperar pelo dvd.
Depois de toda a boa publicidade em revistas, artigos de jornais e na Internet, e pensando que teria uma estreia nacional condigna ao contrário do que se passou com Rescue Dawn e Misterious Skin entre muitos outros, mais uma vez as distribuidoras nacionais mostraram o que valem. Perto de nada. Como aconteceu nos outros casos, o filme está presente só em três salas em todo o país, o que é deveras decepcionante.
Ora se o filme só está presente em duas salas lisboetas e outra portuense, o que fazem as pessoas do resto do país? Chama-se Emule, dêem uma vista de olhos. E depois queixam-se que as pessoas não vão ao cinema por causa da pirataria... Cá se fazem, cá se pagam, Karma's a bitch, como diria o amigo Earl.
Qualquer dia, se quisermos ver um filme decente num cinema português temos que rezar para que seja do agrado do tio Markl, porque só ele parece ter poderes neste país para influenciar as bestas que tratam da distribuição cinematográfica.



2 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Seg, 12 Nov, 2007 às 20:34

Concerto impecável dos Dead Combo em Faro no passado sábado à noite.
Tó Trips e Pedro Gonçalves mostraram porque é que a alma não é pequena, não desiludindo as expectativas dos presentes.
Casa cheia para ver os dois músicos destilar talento durante todo o espectáculo. É certo que o ambiente semi-acolhedor serve que nem uma luva para a música que é feita por esta rapaziada.
Tó Trips de bom humor, largando umas larachas avulsas por entre os belíssimos instrumentais saídos das guitarras, contrabaixo, kazoo e tudo o mais que serviu os preceitos destes dois rapazes criadores de músicas para um mundo à parte.
Um mundo do burlesco, do faroeste, do saloon, seja onde for que os queiram ligar, a alma está lá, nas pontas dos dedos seriamente maltratados de Trips, tal é a emoção que passa dos homens para os instrumentos.
Emoção essa que serve também para definir os Dead Combo e a sua música, feitos de estórias peculiares e de um imaginário que não está ao alcance de todos, por entre vícios e proezas arriscadas envolvendo moedas.
(Im)puramente irrepreensível.

Adenda: foto gentilmente cedida por Ana Marmelo, autora deste blogue.





3 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Seg, 12 Nov, 2007 às 03:48

São 3:48 da manhã de uma segunda-feira.
Está a dar o The Office na TVI.
Obrigado TVI, mas se o propósito era ser eu o único em todo o país a ver a este episódio tinham poupado algumas coroas e mandavam-me a série em dvd.
Sr. Moniz, se está a ler este post: na próxima semana se calhar não vale a pena transmitir outro episódio. A probabilidade de eu estar novamente acordado a esta hora na próxima semana é ínfima, senão mesmo nula.
Deixe aqui o aviso que eu logo vou buscar o dvd aos correios.  Caso contrário, tudo isto tem uma aura de estupidez que não condiz com uma estação como a sua.

PS: Há-de-me dizer onde comprou aquele poster todo jeitoso do Coltrane.



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Sex, 09 Nov, 2007 às 08:14

Ver os documentários "The Filth and the Fury of the Sex Pistols" e "The Clash: Westway to the World" é, no mínimo, uma experiência enriquecedora para todos os melómanos e amantes da história da música.
Os dois documentos datam do ano 2000 e têm muito mais em comum do que a data de realização.
Feitos por dois insiders mas acima de tudo fãs e conhecedores das duas bandas, Julien Temple e Don Letts quiseram mostrar ao mundo - o onde, o como, o quando e o porquê do nascimento desse verdadeiro furacão que foi o punk rock.
É verdade que se pode dizer que Letts e Temple andam há algum tempo no chamado milking the cow no que diz respeito ao punk, produzindo documentário atrás de documentário sobre a atitude punk ou  sobre as figuras que marcaram esta época*, mas não podemos censurar ninguém por querer mostrar ao mundo a sua história. Pois eu digo que deixem os homens continuar a produzir documentos sobre a música e os seus associados. Faz falta a muita gente, este tipo de conhecimentos.
Neste caso, diz-se que ambos trocaram imagens entre si, de maneira a produzir o melhor material possível, e isso nota-se perfeitamente para quem visiona os dois docs com atenção.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
É certo que nisto da música há a tendência bastante natural para catalogar o género de música produzido, o que se torna bastante redutor, em especial para algumas bandas. O caso dos Clash acaba por ser o mais visível, especialmente porque quando o mundo se apercebeu que muita daquela rapaziada não sabia mais do que três acordes, eles foram dos poucos sem medo de evoluir para algo diferente.
Se bem que ouvimos Paul Simonon em discurso directo a dizer que tinha que ser Mick Jones a lhe vir segredar os acordes no período inicial da banda, também não é menos verdade que a consciência política sempre fervilhou nas letras dos Clash e Sex Pistols. Como diria Joe Strummer - know your rights!
Nestes dois documentários  ficamos a conhecer  melhor  esse roadrunner que foram os Sex Pistols, assim como a veia mercantilista de Malcom McLaren. Temos também uma visão privilegiada para o crescimento e transformação dos Clash.
Ainda assim, a sombra da autodestruição e o arrependimento (ou não) muitos anos depois, paira em ambos os documentários, e acaba por definir os mitos do punk rock, de Johnny Rotten a Joe Strummer, passando por todos os actores que dele fizeram parte.
No final ficamos a pensar como teria sido o futuro destes homens se tivessem tido acesso à atitude Some Kind of Monster dos Metallica, que parecem ter aprendido com os erros dos outros.

*(ver: Punk: Attitude e Joe Strummer: The Future Is Unwritten)



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Qui, 08 Nov, 2007 às 20:06

Num post que deveria ter sido escrito há mais de duas semanas, por altura da estreia do filme em território nacional, venho agora falar-vos sobre Knocked Up (recuso-me a usar o título português).
Aliás, o título em português deveria ter sido "Um Filme do Caraças!", isso sim. Judd Apatow fez mais e melhor, no que aparenta ser uma curva evolutiva muito jeitosa, de Freaks & geeks até à bomba que se prepara para explodir no próximo ano, apelidada de Walk Hard: The Dewey Cox Story.
Seja a produzir, escrever ou realizar, o homem anda imparável. Aquilo a que muitos chamam filmes brejeiros com piadas fáceis sobre "you know how I know you're gay?" e cócó é comédia. É comédia até ao tutano, na exploração do ridículo partilhado de forma comum pela faixa etária retratada nos filmes. Ou vão-me dizer que as piadas e os skits em Virgem aos 40 anos ou em Superbad estão completamente fora da realidade?
A juventude deste mundo sabe do que falo. Juntem-se dois ou três e a brejeirice vem logo ao de cima. Vocês sabem do que eu estou a falar. A próxima vez que passarem por um grupo de jovens entre os 15 e os.. vá lá... 30 e poucos anos e os virem a rir, fiquem a saber que se instalou ali a palhaçada.
Assim é em Knocked Up. Aquele grupo da rapaziada que sucumbe ao sindrome de "pink eye" não é estranha à nossa sociedade, eles são a nossa sociedade.
Judd Apatow faz filmes com a malta amiga, o que é logo meio caminho andado para se criarem coisas bonitas, a não ser no caso do Steven Seagal, onde nada se cria, tudo se destrói.
Vão ver um episódio de Freaks & Geeks, o primeiro projecto a sério de Apatow. Metade desta malta está lá, incluindo Seth Rogen, o tipo que engravida a Katherine Heigl. Ora a isto se chama fazer filmes em família. Pois que façam muitos.
Ainda assim, tenho que dizer que para mim, Paul Ruud volta a estar muito perto de roubar o filme com a mesma pinta de sempre. Impecável. Dá gosto ver malta a fazer comédia com tanta qualidade, e olhem que não há por aí muitos.
Não posso terminar o post sem referir a banda sonora criada para ou com a inspiração do filme. Tenho ideia de que o Markl terá mencionado isto há alguns meses, provavelmente pela altura em que o filme estreou nos EUA, mas nunca é de mais falar de coisas de qualidade. Loudon Wainwright III criou uma pequena obra de arte musical a que deu o nome "Strange Weirdos". Ouçam duas músicas no myspace do homem e depois venham-me dizer se aquilo não é do melhor que se faz por aí.Só por si já o nome do álbum já é delicioso, e assenta que nem uma luva no argumento de Knocked Up



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Guerreiro / Qui, 08 Nov, 2007 às 03:36

Gonçalo M. Tavares, um dos meus escritores de eleição, prepara-se para lançar, ou melhor, para ver lançado mais um livro seu: Aprender a Rezar na Era da Técnica.
Completa a tetralogia dos Livros Pretos, que se contava já com Um Homem: Klaus Klump, A Máquina de Joseph Walser e Jerusalém. Na linha dos anteriores, deve ser um livro duro, muito cru, psicologicamente dotados, chamo-lhes eu. Segundo Eduardo Pitta, Aprender a Rezar na Era da Técnica "conta a história de um cirurgião, Lenz Buchmann, que se vê tentado pela vida política."
Deixo-vos o excerto, e confesso-vos, quero tê-lo nas mãos o mais depressa possível.


"O homem público — Tansferência de capacidades da medicina para a política


A arte do homem público exercia-se em todos os lados, não havia abrigos ou portos de segurança. Até a própria família — neste caso a sua mulher — era puxada para essa nova linguagem. Maria Buchmann viu-se mesmo obrigada a entender e a integrar-se nesta segunda metodologia aplicada à existência. E a ela agradava, isso era bem nítido — o que por vezes chegava a irritar Lenz —, conhecer novas pessoas, outros homens, outros casais.
Lenz Buchmann, esse, decifrara rapidamente o novo código e, vendo-se um cientista que põe os seus próprios hábitos e acções em causa na mesa de experimentação, percebera já que tinha de começar por outro ponto, pois agora, nas suas decisões, visava salvar por completo não um organismo ou uma existência mas sim, embora só parcialmente, as esperanças e o desejo de cada cidadão.
A capacidade dos aparelhos do seu gabinete médico para detectar a decadência das células transferira-se, com facilidade, dessa escala mínima para a escala normal da rua, e das máquinas para o seu olho. A desordem moral e física dos habitantes comuns assustava-o da mesma maneira profissional com que a falência física de uma célula, antes, o assustava nas consultas no hospital. Era, digamos, um susto que não envolvia o assustado.
O médico Lenz sabia bem da importância de se mostrar surpreendido no momento único em que se diz ao paciente: você tem uma doença, mesmo que, para ele, enquanto médico, aquela não fosse uma frase minimamente determinante para a existência mas uma mera repetição, uma frase habitual; frase que em nada alterava a sua, digamos, economia sentimental.
Esta falsidade era um dos raros gestos em que o médico Lenz se fingia mais fraco para que o outro se sentisse acompanhado. A hierarquia prática estabelecida entre qualquer homem saudável e qualquer homem doente era, no instante seguinte, restabelecida e portanto o médico, qualquer médico, nada sentia perder senão uns minutos de força, minutos esses insignificantes. Esse momento, em que o médico diz ao homem que já não é um homem mas alguém com uma doença grave, era o instante fraterno — o tempo assumia-se coisa material à qual se podia dar uma fisionomia humana —, instante fraterno em que o médico, ao mostrar-se assustado ao mesmo ritmo que o doente, finge estar no mesmo barco. Mas de facto não está.
Era essa capacidade invulgar que Lenz Buchmann transportara das suas consultas decisivas para os vários contactos políticos com um qualquer cidadão. Um problema urbanístico — um edifício projectado com um piso a mais — ou a discussão de uma herança, onde um metro quadrado é combatido legalmente por duas partes, qualquer problema mesquinho deste tipo era elevado, pelo político Lenz Buchmann, ao patamar da separação entre a doença e a não doença. Todos saíam de uma conversa com Buchmann com a convicção de que este estava no mesmo barco, preparado para remar em conjunto, quando, no fundo, Buchmann só estava no mesmo barco de alguém se este remasse por ele. Lenz há muito destruíra o abrigo de ingenuidade que mesmo os demasiado lúcidos ainda guardam, abrigo que ele desde cedo aprendera ter um estranho nome, dado pela Igreja: o Espírito Santo. Nunca embarcava: fingia embarcar e rapidamente saía pelo outro lado do barco, ficando assim sempre no porto, numa posição privilegiada de observador com os pés sobre a ordem e não sobre a água imprevisível
."

                                                        
Aprender a Rezar na Era da Técnica, Gonçalo M. Tavares




0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Guerreiro / Qui, 08 Nov, 2007 às 02:33

Há sempre um crónico "mas" no cinema português.
"O Julgamento", de Leonel Vieira, não foge à regra. Dir-se-á que qualquer abordagem à temática pidesca e salazarista seria susceptível de críticas, o que é verdade. Será filme à medida de uns, menos de outros, mas na generalidade, o resultado não pode ser considerado muito mais que negativo.
A premissa é audaz, pode dizer-se. Focar a repressão do Estado Novo. A premissa levou, claro, muita gente ao cinema. Mas a premissa é parca em conteúdo. No fundo, "O Julgamento" é um ajuste de contas, feito a um ex-Pide que torturara os três amigos que protagonizam o filme, homens de Abril. Mas se não fosse um Pide, poderia ser qualquer outro indivíduo. Não existe Salazar, não existe Estado Novo, existe uma identidade abstracta, a Pide. Para a premissa inicial, é pouco.
Os diálogos são, por vezes, muito inverosímeis. Para além de outras pérolas, insultos como "pulha" ou "sacana" seriam afagos carinhosos para com um homem que, no caso, os torturou.
Last but not..., Leonel Vieira não resistiu ao ímpeto moralista: quando o amigo que fugira (o falecido Henrique Viana, a quem o realizador dedica o filme) chega a casa apanha a sua belíssima esposa (uff...) (Raquel Henriques)  a ter sexo escaldante - não percebi ainda se com o jardineiro se com o filho...
Como quem diz, "ahhh, Bem Feita, seu maroto"!
A minha surpresa foi, sem dúvida alguma, Júlio César. Partilha das dificuldades gerais, mas é um verdadeiro "bad ass", como se diz na gíria. Não um qualquer. É um "bad ass" com pinta suficiente para o ser, sendo simultaneamente "professor universitário" e "escritor"; tudo com um estilo - desculpem lá isto - "cool"...




0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Guerreiro / Qui, 08 Nov, 2007 às 02:19

Honras feitas. O homem apanhou-a como deve ser:

"Os biógrafos dizem que Gogol
morreu virgem. Parece que era impotente. E há suspeitas de que fosse homossexual. Mas tudo isso são coisas difíceis de provar. Vendo os retratos dele, creio que é mais fácil demonstrar por exemplo que Gogol tinha cabelo oleoso."




0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Nuno Costa / Qua, 07 Nov, 2007 às 20:41

Sócrates, oh Sócrates, e quem é roubado por falta de segurança das ruas não tem direito a comprar portáteis a 150 euros?

Fala-se de ausências é de mim que se fala. Diz-se que estive ausente do blogue nos últimos tempos por causa do FM, concordo. Os outros tempos, esses, foi mesmo culpa da inércia. Para uma possível ausência de posts futura há que culpar o gajo que deixou oito dedos marcados no vidro do meu carro e levou o autorádio da Claptronic, o meu portátil e com ele uma promissora carreira de treinador vitorioso no Portimonense (depois de uma curta passagem pelo Amarante fruto de uma falta de profissionalismo e gratidão gritantes da direcção do clube das Gaivotas).
Por enquanto fazem-se simulações de crédito para ver para quando uma nova carreira de treinador, vulgo, comprar novo portátil.
É nestas alturas que eu tenho pena de não ter reprovado 6 anos. Ou de não ser professor primário. Ou de não ter jeito para assaltar carros. A última opção é a melhor. Não gasto 150 euros.




0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Bruno Nunes / Ter, 06 Nov, 2007 às 23:08

Parece que estivemos missing in action durante algum tempo.
Não é que tenhamos estado muito ocupados. Estivemos só um bocadito ocupados. Ehhh, digamos, em 24 horas estivemos ocupados prái quatro. As restantes vinte foram aplicadas de forma valorosa e eficiente na construção de promissoras carreiras como treinadores de futebol.
Nada a nível oficial, é certo, como faz o Jorge Gabriel no Arouca. Deus nos livre de nos rebaixarmos a esse nível. Afinal ainda temos alguns princípios.
Football Manager, penso que é assim que se chama o culpado desta ausência prolongada.
Uns têm o cavalo, outros têm o programa do Goucha. Nós temos o FM.
Por entre conselhos para mudar de roupa interior e a evolução para indivíduos parcialmente semelhantes com o Freitas Lobo lá arranjámos tempo para dormir. Poucochinho, é certo.
Foi assim que negligenciámos aqui o menino, leia-se, o zurras.
Não corram já para avisar a protecção de blogues. Estamos de volta, acho eu.
Bom, se calhar é melhor não prometer nada, porque o campeonato do mundo de clubes não se ganha sozinho.
Temos algumas coisas em atraso para comunicar, de maneira que não nos iremos embora assim tão cedo.
É certo que confissões como a que foi feita no post aqui em baixo abalam a confiança e a reputação de qualquer blogueiro (ou será bloguista?), mas seguimos com a mesma veia crítica e parvoíce anexa.

PS: Aqui que ninguém nos ouve, para comprar o Aguero ao Atletico de Madrid ofereçam 30 milhões de euros mais 50% da próxima venda. É tiro e queda. Se estiverem na primeira época, peçam o Adriano do Inter por empréstimo que o homem sai à vontade. Mais não digo. Agora estou de volta aos posts



0 seres zurraram ALTO!  Zurrar!Pelo génio de Pedro Guerreiro / Seg, 05 Nov, 2007 às 12:06

Ok, linchem-me.
Comprei dois números consecutivos da revista Atlântico.
 


Zurraria
Para além de ocuparmos espaço na net, não fazemos mais nada...
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