Zurrar!Pelo génio de Pedro Guerreiro / Dom, 08 Abr, 2007 às 16:20

Sou (julgo) moço de gostos assaz ecléticos e, no que à música concerne, mais variados ainda.
Em Portugal, um dos estilos (que me agrada e) que tem traçado uma rota ascendente em termos qualitativos é o hip-hop. De influências norte-americanas e - posteriormente - francesa, este género musical trouxe ao mediatismo personalidades e grupos musicais - ainda que o hip-hop se possa ter desvirtuado no caminho traçado - como Da Weasel, Mind da Gap, Boss AC, Sam the Kid, Dealema, Valete, Bomberjack, Melo D, Kalaf, entre outros.
Todos eles (salvo seja... digam vocês) acrescentaram qualidade ao panorama musical português. De música de rua ao inconformismo, juventude, crítica política, social, o amor (não o lamechas, o outro), as minorias, a exclusão, uma juventude desenquadrada da sociedade em que cresceu, a imigração, as ex-colónias e o crioulo.
São gente que fala em nome próprio, redige de si para si, para os seus, - e os seus somos nós todos, acreditem! Até ver, (já vi, já chega), são mostra de qualidade.
Acrescentam muito. Sotaque, crioulo, irreverência. São música pós-repressão. Pró-Liberdade. Contestatária.
Quando, auto-incluindo-se no movimento hip-hop, surgem "artistas" que falham isso, caem no ridículo. Porque o hip-hop sem qualidade é isso, ridículo.
O hip-hop não é só (nem sequer é) usar chapéu ao contrário e calças largas, Boss AC. Será outra coisa.
Falo-vos, amigos, dos Mundo Secreto. Para ilustrar a minha admiração pelos Mundo Secreto, dispenso-vos palavras minhas, pobres, para transcrever uma crítica do Ipsílon do Público de 30 de Março.
Diz assim:
Nem tudo no universo dos Mundo Secreto é tão mau quanto o ridículo das letras ou a péssima emissão das palavras do MC: há aqui uma banda que até cumpre o mínimo dos mínimos dos requisitos para editar um disco, uma banda que, excepto quando o guitarrista resolver fazer "riffs" cheios de bolor, é capaz de pintar com tons "lounge" um universo devedor da "soul" mais leve e dançável. (...)
É mau quando uma guitarra quer soar pesada e o tema acaba por se assemelhar a uma versão beta dos Da Weasel. É penoso quando um MC, que, por norma provoca urticária, consegue, quando se esforça por demonstrar fundura, parecer sofrer de uma doença debilitadora do estômago. E é assustador quando a juventude se entretém a escrever inanidades do calibre de "Adoro o teu feeling/ adoro a tua vibe (...). Tu és assim para mim essência que arde/ tu és a minha liberdade." Deus lhes perdoe que nós não temos paciência. J.B.

"Deus lhes perdoe que nós não temos paciência." - digo eu. E muitos.
O hip-hop é outra coisa, amigos, e há bons empregos na metalurgia.



Comentários:
De DsH a 9 de Abril de 2007 às 12:11
até que enfim alguém conseguiu pôr em palavras aquilo que atormentava o desenvolvimento mental deste país...

palmas sinceras


De druida a 9 de Abril de 2007 às 02:01
mas eles dizem que tem pica e conteudo....?!?!


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